PSICOTERAPIA
HOMEOPATIA
SOMA-ETÉRICO


A Homeopatia na vanguarda do contexto científico emergente

O inegável avanço da Homeopatia nas mais diversas áreas biológicas está fundamentado em alguns pilares de importância para o desenvolvimento e estabelecimento de qualquer proposta científica, sendo o amadurecimento da época um dos seus principais sustentáculos. O inconsciente ou consciente coletivo aponta os caminhos para a humanidade, baseando-se na experiência de sucessos e insucessos. A visão emergente da ciência sobre a síntese do ser biológico como algo a mais do que a simples soma de suas partes mostra-se em ampla ressonância, por exemplo, com teorias já aceitas pela física com relação às partículas subatômicas.
Muito embora os instrumentos para a edificação de uma abordagem terapêutica condizente com as atuais expectativas de uma visão sistemológica do ser biológico estejam alojados no cerne da Homeopatia, esta ainda se encontra, de certa forma, fragmentada em diversos aspectos, além de pouco atualizada frente aos avanços de algumas áreas da ciência perfeitamente adaptáveis a ela.
Enfoques restritos, mesmo que justificados por resultados positivos e de inegável valor na construção do saber homeopático, não resistem a uma visão crítica mais abrangente, calcada no progresso filosófico-científico que atualmente se descortina. Tomando apenas como exemplo, da mesma forma que os ditos organicistas, cuja prescrição se baseia numa restrição analítica, demonstram chegar a bons resultados terapêuticos, os chamados mentalistas, fundamentados numa abordagem exclusivamente psicossomática e psicanalítica, também o fazem. Ambos, a seu modo, embora sejam agentes importantes na luta pelo alívio dos sofrimentos da humanidade e na construção do saber homeopático, apresentam abordagens reducionistas frente à complexidade do processo organizacional inerente ao ser vivo. Em outras palavras, a contemplação da mesma paisagem por janelas diferentes resulta em visões diversas, muito embora todas sejam igualmente verdadeiras.
Nesse sentido, com o objetivo de inserir a Homeopatia num contexto científico moderno de ecologia avançada, processos organizacionais, estruturas dissipativas e cognição, inerentes ao ser vivo, nos valemos de conhecimentos garimpados na bateia de seus fundamentos, sempre guiados pelo pragmatismo. De Hanemann a Prigogine, passando por Bernard, Pavlov, Anokhin, Maturana e Varela, entre muitos outros, sem desviar-nos do caminho, procuramos pela menor distância possível a percorrer para alcançarmos o almejado salto. Uma nova teoria foi então proposta e colocada à prova nos ambulatórios da Associação Brasileira de Reciclagem e Assistência em Homeopatia (ABRAH) no Hospital do Servidor Público Municipal de São Paulo, no Instituto Hahnemanniano do Brasil no Rio de Janeiro e na Liga Homeopática do Rio Grande do Sul, incluindo-se, nos dois últimos, a Medicina Veterinária. Os resultados, após sete anos de vivência, apontaram para uma melhoria significativa dos resultados terapêuticos, além de um notável acréscimo à compreensão do processo saúde/doença e do próprio modo de atuação do medicamento homeopático. A arquitetura geral dos sistemas funcionais de Pioter K. Anokhin adaptou-se de maneira surpreendentemente perfeita à Matéria Médica Homeopática, aliada a uma proposta de pesquisa pós-cartesiana, em consonância com a Teoria de Santiago e ligada à concepção de autopoiese de Maturana.
Pouco ou nenhum esforço foi necessário para transformar a complexidade da teoria em instrumento de utilização relativamente fácil, uma vez que sua construção baseou-se, o mais rigorosamente possível, no pragmatismo. Evidentemente, alguns conceitos considerados como indiscutivelmente verdadeiros pelos homeopatas atuais tiveram que ser revistos e modificados dentro da nova estrutura de raciocínio, sem trazer nenhum prejuízo aos paradigmas por eles mesmos adotados.
Em resumo, a nova teoria está calcada numa concepção de doença imaterial e do ser vivo como complexo, organizado e sistêmico, o que, necessariamente, implica na existência de uma estrutura física, que deve ser igualmente considerada. Ainda com relação à doença, esta não é vista como um mal em si, mas como um movimento do organismo no sentido de retornar ao estado de equilíbrio perdido, sem deixar de considerar as possibilidades de provocar lesões orgânicas ou mesmo a morte. Tratar homeopaticamente, portanto, é auxiliar o processo, tornando-o mais rápido, suave e eficaz, enquanto alopaticamente é, na maioria das vezes, bloqueá-lo, impedindo, destarte, o re-equilíbrio completo. Nesse sentido, a Homeopatia passa a representar a terapêutica de escolha e a Alopatia, na iminência de lesão orgânica ou morte, uma importante terapêutica complementar. Caberá ao médico bem instruído e fundamentado decidir quando usar uma ou outra.
A forma biológica reflete muito mais do que uma configuração estática, constituindo-se, na verdade, num padrão estrutural em constante evolução, influenciado pelo fluxo de matéria e energia que o percorre incessantemente. Destarte, desenvolvemos um estudo biotipológico fundamentado no modelo de Bernard e, portanto, na Matéria Médica Homeopática, atribuindo-lhe características mutáveis. Assim, o diagnóstico biotipológico passou a representar importante norte para a compreensão do padrão adaptativo do indivíduo, passível de ser auxiliado ou mesmo corrigido pelo tratamento homeopático.
Da mesma forma, os temperamentos de Galeno e Allendy foram modificados e re-adaptados às concepções de plasticidade ou capacidade de assimilação e desassimilação do vórtice biológico, além de suas características linfáticas e sangüíneas de atuação imunológica, admitindo, como no caso dos biótipos, possibilidades de incompatibilidades passíveis de correção.
A teoria miasmática foi a que mereceu maiores reparos, tanto no tocante à sua atualização pelas concepções fisiopatológicas emergentes das propostas da fisiologia experimental russa e da própria Medicina Interna, quanto pelo restabelecimento da ordem proposta pelo próprio Hahnemann, admitindo o estudo dos miasmas como movimentos fisiopatológicos distintos, com origens, processos e manifestações próprias a cada um. É, portanto, na dessemelhança existente entre eles que residem diversas possibilidades observadas na prática homeopática como as alternâncias e as supressões, uma vez que podem conviver no indivíduo, não se aniquilando mutuamente como seriam se fossem semelhantes. A teoria da priorização dos sistemas do fisiologista russo Alexei Uchtomski ratificou a concepção de Hahnemann de que duas ou mais doenças dessemelhantes poderiam conviver no mesmo organismo, devido a cada uma ocupar o lugar e as funções que lhe fossem mais propícias, deixando para as outras aqueles lugares e funções mais favoráveis a elas. Faz-se mister, portanto, identificar as priorizações orgânicas e os sintomas delas decorrentes para a escolha do medicamento homeopático adequado, de acordo com a afirmação do fundador da Homeopatia descrita no rodapé do parágrafo oitenta do Organon.
Uma ficha clínica semidirigida de primeiro atendimento e evoluções, que contempla além da semiologia habitual a que resulta na identificação dos pontos anteriormente expostos, compõe o instrumental utilizado no Ambulatório-escola da Clínica de Homeopatia do Hospital do Servidor Público Municipal de São Paulo, assim como o das outras instituições que mantém convênio de colaboração científica com a ABRAH.
A experiência clínica e as pesquisas têm ratificado o valor da nova teoria, que vem se disseminando no meio homeopático e fora dele, através de publicações, cursos, seminários e dos próprios congressos nacionais promovidos pela associação. No entanto, pela consciência que temos das necessidades de reparos e acréscimos que qualquer teoria exige, aspiramos que cada vez mais seja discutida e criticada por um número crescente de homeopatas e estudiosos de outras áreas afins. Nossa crença é a de que não existem idéias imutáveis e, por isso mesmo, a Ciência prossegue célere em contínua e inexorável evolução. Auguramos sinceramente que esta nova teoria colabore para colocar a Homeopatia na vanguarda do pensamento científico emergente, fruto do inconsciente e consciente coletivo vigente que, particularmente nestes tempos, nitidamente aparenta anelar por profundas e rápidas mudanças em todas as áreas do entendimento humano.

Prof. Romeu Carillo Jr.
Médico Chefe da Clínica de Homeopatia do Hospital do Servidor Público Municipal de São Paulo (HSPM-SP)
Presidente e orientador dos cursos de formação de especialistas e pós-graduação em Homeopatia da Associação Brasileira de Reciclagem e Assistência em Homeopatia (ABRAH)

 

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